15 de agosto de 2010
sobre a primeira noite.
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Hold on!/Hold on!/Don't be scared/You'll never change what's been and gone
May your smile (May your smile)/Shine on (Shine on)/Don't be scared (Don't be scared)/Your destiny may keep you warm
'Cause all of the stars/Are fading away/Just try not to worry/You'll see them some day/Take what you need/And be on your way/And stop crying your heart out
Get up (Get up)/Come on (Come on)/Why you scared? (I'm not scared)/You'll never change what's been and gone
'Cause all of the stars/Are fading away/Just try not to worry/You'll see them some day/ Take what you need/ And be on your way/ And stop crying your heart out
Where all us stars/ We're fading away/ Just try not to worry/ You'll see us some day/ Just take what you need/ And be on your way/ And stop crying your heart out
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"seu destino pode mantê-la aquecida".
13 de julho de 2010
o meu lugar nisso tudo.
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Enquanto minha ida pra Londres se aproxima e se torna mais real, alguns sentimentos, que antes eu desconhecia - ou ignorava - começam a aparecer. Sentimentos quanto ao espaço da casa, da cidade, da língua, da cultura, que não serão mais os meus e darão lugar a casa, cidade, língua e cultura tão pouco familiares; quanto aos amigos e a família que ficam, às histórias que ficam e continuam sem mim.
Não é aquela história de valor tardio, de só valorizar depois que a perda acontece. Não é isso, não é isso que eu sinto.
Foram poucas as vezes, que eu me recordo, em que tive o sentimento de não viver e valorizar o que me rodeia. É claro que eu, como boa "católica não-praticante", não sou daquelas de longos e constantes agradecimentos. O que existe, de fato, é um "obrigada por esse edredon quentinho", um zelo pelo lar, uma tentativa de sempre estar bem onde estiver. Mais do que isso, me pego sempre admirada observando, pela janela do ônibus, a vida em BH: a correria das pessoas, os distraídos nos butecos, os trabalhadores até altas horas nos pontos de ônibus. Admiro o anonimato e me sinto contente em fazer parte disso, desses prédios, desse caos, dessa vida meio agitada, meio solitária. Acho bonito. Assim como fico perplexa com a beleza de uma noite de inverno em São Vicente, com o vento frio no rosto e o silêncio ao meu redor. E, mais uma vez, sorrio e digo: "obrigada". Pra seja lá quem me ouve!
E quando penso nos amigos e na família, não é diferente. Há muito tempo entendi que não é possível ficar pela metade nas ocasiões. Às vezes acontece, torna-se necessário, para manter certas relações. Mas não é nada agradável (nem para mim, nem para os outros) estar em uma festa de aniversário repleta de pessoas cheias de energia, quando na verdade eu gostaria de estar gastando meus ATPs assistindo a um bom filme. E o contrário também é verdadeiro. O que me propus, portanto, é ficar inteira nas ocasiões, aproveitar meu momento com as pessoas, ser sincera no meu relacionamento com elas. Como diria meu querido Renato Russo: "só apareço, por assim dizer, quando convém aparecer..."
Esta postura me ajudou a aceitar que não é possível ser amada por todos, até porque eu não gosto de todo mundo. Mas me ajudou a estabelecer relações sinceras e fortes com as poucas pessoas que compartilham ou aceitam a minha postura. Com os outros eu aprendi a "fazer sala" e a deixar que me conhecessem pelas beiradas.
O que me chama atenção, portanto, nesses sentimentos que vêm aflorando, não é a falta. Não é mais a pergunta: "mas e aí, quem fica disso tudo?". O que agora eu percebo, na verdade, é o quanto eu faço parte. O quanto minhas relações já foram estabelecidas, estando eu na Inglaterra, na China ou em Marte. Percebi que o trio "Marcela-Paulinha-Luiza" só será um trio com a Luiza. Que a turma de 2009 do Proef-2 sempre precisa do meu empurrãozinho pra marcar seus encontros. Que mesmo ocupadas, desocupadas, em outro estado, ou mamães, as amigas e os amigos que eu fiz neste projeto sempre me darão notícias. Que a turma de São Vicente me aceita mesmo saindo sem muita frequência e nem chegando perto da pinga. E por aí vai.
Cantando com a mulherada doida da família esse fim de semana, pude entender isso. Enquanto Paula Toller dizia
"nunca soube, nada saberei,
sigo sem saber
que lugar me pertence, que eu possa abandonar...
que lugar me contém, que possa me parar..."
eu também me perguntava ao som da música. A conclusão de que eu já faço parte dessas histórias, de que meu lugar existe, seja na família, com os amigos ou na dinâmica da cidade, me fez ficar contente. E, mais uma vez, agradecer.
Enquanto minha ida pra Londres se aproxima e se torna mais real, alguns sentimentos, que antes eu desconhecia - ou ignorava - começam a aparecer. Sentimentos quanto ao espaço da casa, da cidade, da língua, da cultura, que não serão mais os meus e darão lugar a casa, cidade, língua e cultura tão pouco familiares; quanto aos amigos e a família que ficam, às histórias que ficam e continuam sem mim.
Não é aquela história de valor tardio, de só valorizar depois que a perda acontece. Não é isso, não é isso que eu sinto.
Foram poucas as vezes, que eu me recordo, em que tive o sentimento de não viver e valorizar o que me rodeia. É claro que eu, como boa "católica não-praticante", não sou daquelas de longos e constantes agradecimentos. O que existe, de fato, é um "obrigada por esse edredon quentinho", um zelo pelo lar, uma tentativa de sempre estar bem onde estiver. Mais do que isso, me pego sempre admirada observando, pela janela do ônibus, a vida em BH: a correria das pessoas, os distraídos nos butecos, os trabalhadores até altas horas nos pontos de ônibus. Admiro o anonimato e me sinto contente em fazer parte disso, desses prédios, desse caos, dessa vida meio agitada, meio solitária. Acho bonito. Assim como fico perplexa com a beleza de uma noite de inverno em São Vicente, com o vento frio no rosto e o silêncio ao meu redor. E, mais uma vez, sorrio e digo: "obrigada". Pra seja lá quem me ouve!
E quando penso nos amigos e na família, não é diferente. Há muito tempo entendi que não é possível ficar pela metade nas ocasiões. Às vezes acontece, torna-se necessário, para manter certas relações. Mas não é nada agradável (nem para mim, nem para os outros) estar em uma festa de aniversário repleta de pessoas cheias de energia, quando na verdade eu gostaria de estar gastando meus ATPs assistindo a um bom filme. E o contrário também é verdadeiro. O que me propus, portanto, é ficar inteira nas ocasiões, aproveitar meu momento com as pessoas, ser sincera no meu relacionamento com elas. Como diria meu querido Renato Russo: "só apareço, por assim dizer, quando convém aparecer..."
Esta postura me ajudou a aceitar que não é possível ser amada por todos, até porque eu não gosto de todo mundo. Mas me ajudou a estabelecer relações sinceras e fortes com as poucas pessoas que compartilham ou aceitam a minha postura. Com os outros eu aprendi a "fazer sala" e a deixar que me conhecessem pelas beiradas.
O que me chama atenção, portanto, nesses sentimentos que vêm aflorando, não é a falta. Não é mais a pergunta: "mas e aí, quem fica disso tudo?". O que agora eu percebo, na verdade, é o quanto eu faço parte. O quanto minhas relações já foram estabelecidas, estando eu na Inglaterra, na China ou em Marte. Percebi que o trio "Marcela-Paulinha-Luiza" só será um trio com a Luiza. Que a turma de 2009 do Proef-2 sempre precisa do meu empurrãozinho pra marcar seus encontros. Que mesmo ocupadas, desocupadas, em outro estado, ou mamães, as amigas e os amigos que eu fiz neste projeto sempre me darão notícias. Que a turma de São Vicente me aceita mesmo saindo sem muita frequência e nem chegando perto da pinga. E por aí vai.
Cantando com a mulherada doida da família esse fim de semana, pude entender isso. Enquanto Paula Toller dizia
"nunca soube, nada saberei,
sigo sem saber
que lugar me pertence, que eu possa abandonar...
que lugar me contém, que possa me parar..."
eu também me perguntava ao som da música. A conclusão de que eu já faço parte dessas histórias, de que meu lugar existe, seja na família, com os amigos ou na dinâmica da cidade, me fez ficar contente. E, mais uma vez, agradecer.
26 de junho de 2010
sobre o necessário e desejado...
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
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Fernando Pessoa.
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Fernando Pessoa.
20 de junho de 2010
Sobre as reticências. Ponto final.
roubado do blogdadri, que eu leio toda semana. mas isso ainda é um segredo.
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Luisa
(Mariana Clark)
Luisa foi e Luisa voltou tantas vezes em minha cabeça desde aquele dia em que lhe pedi que nunca mais falasse comigo ou me mandasse qualquer coisa mesmo que fossem sinais de fumaça. Não quero perder o tempo de minha vida com você, Luisa, ou que ache que sou capaz de ser um pouco melhor, mais calmo ou mesmo que eu finja ser um adulto. Me irritou profundamente toda essa enrolação para não chegar a lugar nenhum e pode deixar que vou te mandar a conta dos meus três minutos perdidos que nunca terei de volta. Gostaria de falar sobre política, a situação anda catastrófica. Nem sinal de melhoria nas estradas, as federais e as que me levam até você. É difícil governar tamanha situação em que nos perdemos e procuramos nos achar em lugares em que já tivemos mas não estamos mais. Por mais que eu diga essas palavras duras e que Luisa ache tarifa mais barata em outras pessoas, alguém quem sabe que ache isso tudo uma primavera ou mesmo que no inverno uma primavera. Não sou assim, nunca fui fácil, sempre fingi ser coisas que não era. Eu e todas as outras pessoas, obviamente, mas poucas o admitem. E ainda me acho melhor do que os outros por isso, por ter esse gênio difícil, essas palavras duras. Enfim, que Luisa tenha ido e voltado várias vezes e eu tenha a pedido em casamento e depois jogado suas roupas pela janela, ela me chamando de intratável, eu concordando. Coisa mais triste. Eu concordando. E assim, nos odiando nos mesmos lugares em que antes nos amando. E eu agora, sozinho, escrevendo. Eu sozinho escrevendo. Olhando pela janela, confundindo as nuvens com sinais de fumaça. E as gaivotas que, juro, antes não estavam lá.
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porque a saudade ainda dói e isso é o mais próximo que posso chegar do que já fomos. e ponto final.
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Luisa
(Mariana Clark)
Luisa foi e Luisa voltou tantas vezes em minha cabeça desde aquele dia em que lhe pedi que nunca mais falasse comigo ou me mandasse qualquer coisa mesmo que fossem sinais de fumaça. Não quero perder o tempo de minha vida com você, Luisa, ou que ache que sou capaz de ser um pouco melhor, mais calmo ou mesmo que eu finja ser um adulto. Me irritou profundamente toda essa enrolação para não chegar a lugar nenhum e pode deixar que vou te mandar a conta dos meus três minutos perdidos que nunca terei de volta. Gostaria de falar sobre política, a situação anda catastrófica. Nem sinal de melhoria nas estradas, as federais e as que me levam até você. É difícil governar tamanha situação em que nos perdemos e procuramos nos achar em lugares em que já tivemos mas não estamos mais. Por mais que eu diga essas palavras duras e que Luisa ache tarifa mais barata em outras pessoas, alguém quem sabe que ache isso tudo uma primavera ou mesmo que no inverno uma primavera. Não sou assim, nunca fui fácil, sempre fingi ser coisas que não era. Eu e todas as outras pessoas, obviamente, mas poucas o admitem. E ainda me acho melhor do que os outros por isso, por ter esse gênio difícil, essas palavras duras. Enfim, que Luisa tenha ido e voltado várias vezes e eu tenha a pedido em casamento e depois jogado suas roupas pela janela, ela me chamando de intratável, eu concordando. Coisa mais triste. Eu concordando. E assim, nos odiando nos mesmos lugares em que antes nos amando. E eu agora, sozinho, escrevendo. Eu sozinho escrevendo. Olhando pela janela, confundindo as nuvens com sinais de fumaça. E as gaivotas que, juro, antes não estavam lá.
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porque a saudade ainda dói e isso é o mais próximo que posso chegar do que já fomos. e ponto final.
28 de maio de 2010
Um blog!
Um dia eu mostrei esse blog pra Olívia. É, assim, morrendo de vergonha de alguém saber que eu tenho um blog.
Uai, claro!
Um blog assim, com motivo específico (tipo a minha viagem pra Londres) é bem legal. Mas um blog por um blog, só pra postar textos meus, eu achava vergonhoso. Muito narcisista, sabe?
Olívia não viu nada demais e só comentou: "Eu gostaria de ver mais textos seus..."
Assustei. Mas não era exatamente disso que eu tinha vergonha? Quem é que vai querer vir aqui pra ler as minhas falações? Ou, pior, pra ler minhas reflexões (tão repetitivas!) de gente que faz análise? A resposta, totalmente previsível, é: ninguém.
E é exatamente por isso que esse é o blog mais controverso da história: ele existe, está na internet, pode ser encontrado a qualquer momento por qualquer pessoa mas eu finjo que ele não existe! Ele é público, tá aqui pra todo mundo ler, mas eu não o mostro e ele não é visitado.
Então pra que raios essa bagaça serve?!?
Serve pra eu me sentir menos sozinha. Serve pra eu resolver meu problema, existente desde a infância, com diários. Serve pra eu ir salvando, de acordo com meu humor e com o correr da vida, as mensagens bonitas que inúmeras vezes pulam nos meus olhos.
A solidão tem me acompanhado muito nos últimos tempos. Vivo em uma casa com "recém ex-pré-vestibulandos" tão cheios de energia que me cansam. Penso em um futuro do qual praticamente nenhuma das pessoas que eu amo faz parte. Faço contas e reflito sobre a logística da "moradiaXtransporte" o dia inteiro. E passei até a me interessar pelos números da Bolsa de Valores...
Gosto deste blog pois por aqui não existe a ditadura da data, que os fabricantes de agenda insistiram em instaurar. Este fato fez com que hoje, ao reler meus escritos dos 12 anos, eu encontre inúmeras pérolas sobre os meus dias em que nada de interessante acontecia. O que, portanto, explica eu sempre abandonar meus diários beirando abril.
Passado o problema de escrever quando me der vontade, estou trabalhando o fato de escrever o quê me der vontade. Então, por ora, uso pessoas pra falarem por mim e, vez ou outra, escrevo umas abobrinhas. Já que, afinal de contas, estou autorizada. Pelo menos até este virar um blog "com objetivo", o portal das minhas experiências nas terras da rainha.
Uai, claro!
Um blog assim, com motivo específico (tipo a minha viagem pra Londres) é bem legal. Mas um blog por um blog, só pra postar textos meus, eu achava vergonhoso. Muito narcisista, sabe?
Olívia não viu nada demais e só comentou: "Eu gostaria de ver mais textos seus..."
Assustei. Mas não era exatamente disso que eu tinha vergonha? Quem é que vai querer vir aqui pra ler as minhas falações? Ou, pior, pra ler minhas reflexões (tão repetitivas!) de gente que faz análise? A resposta, totalmente previsível, é: ninguém.
E é exatamente por isso que esse é o blog mais controverso da história: ele existe, está na internet, pode ser encontrado a qualquer momento por qualquer pessoa mas eu finjo que ele não existe! Ele é público, tá aqui pra todo mundo ler, mas eu não o mostro e ele não é visitado.
Então pra que raios essa bagaça serve?!?
Serve pra eu me sentir menos sozinha. Serve pra eu resolver meu problema, existente desde a infância, com diários. Serve pra eu ir salvando, de acordo com meu humor e com o correr da vida, as mensagens bonitas que inúmeras vezes pulam nos meus olhos.
A solidão tem me acompanhado muito nos últimos tempos. Vivo em uma casa com "recém ex-pré-vestibulandos" tão cheios de energia que me cansam. Penso em um futuro do qual praticamente nenhuma das pessoas que eu amo faz parte. Faço contas e reflito sobre a logística da "moradiaXtransporte" o dia inteiro. E passei até a me interessar pelos números da Bolsa de Valores...
Gosto deste blog pois por aqui não existe a ditadura da data, que os fabricantes de agenda insistiram em instaurar. Este fato fez com que hoje, ao reler meus escritos dos 12 anos, eu encontre inúmeras pérolas sobre os meus dias em que nada de interessante acontecia. O que, portanto, explica eu sempre abandonar meus diários beirando abril.
Passado o problema de escrever quando me der vontade, estou trabalhando o fato de escrever o quê me der vontade. Então, por ora, uso pessoas pra falarem por mim e, vez ou outra, escrevo umas abobrinhas. Já que, afinal de contas, estou autorizada. Pelo menos até este virar um blog "com objetivo", o portal das minhas experiências nas terras da rainha.
2 de maio de 2010
...
"Mas essa vida é passageira,
Chorar eu sei que é besteira,
Mas, meu amigo,
Não dá pra segurar..."
(Vida passageira - Ira!)
.
.
.
eu nunca pensei que a morte fosse tão incômoda e dolorida. na verdade, eu nunca penso sobre ela. ignoro solenemente.
e hoje, quando ela me bate com tanta força e me apresenta pensamentos e sentimentos que eu desconhecia, entendo que, provavelmente, eu não dava a ela a devida importância.
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Chorar eu sei que é besteira,
Mas, meu amigo,
Não dá pra segurar..."
(Vida passageira - Ira!)
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eu nunca pensei que a morte fosse tão incômoda e dolorida. na verdade, eu nunca penso sobre ela. ignoro solenemente.
e hoje, quando ela me bate com tanta força e me apresenta pensamentos e sentimentos que eu desconhecia, entendo que, provavelmente, eu não dava a ela a devida importância.
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29 de abril de 2010
Sobre grandes passos e grandes decisões
Eu vou pra Londres em agosto.
Sim, é uma decisão. Já foi pensada, repensada, rerepensada, avaliada, negada, diminuída, abafada, reavaliada, considerada, sonhada, esperada, desejada, decidida.
Foi um parto. Assim como escrever trabalhos sobre a Sociedade Colonial “em pelo menos 20 páginas” ou ler todos os textos de Historiografia Brasileira para a prova do dia seguinte.
É verdade que foi menos dolorido, mas o peso foi igual. Era eu comigo mesma, sabe? Era o momento em que eu finalmente seria sincera comigo: eu não quero um emprego formal (pelo menos não agora!), eu não quero dar aulas, eu não quero estudar mais, eu não quero estabilidade!
E eu precisei ter muito peito pra dizer isso, o que, convenhamos, é um problema pra mim (ai ai, adoro trocadilhos!). A cobrança nunca foi explícita. Mas existe. Existe em cada conversa com conhecidos em que te perguntam se você já se formou, se vai tentar mestrado e o que vai fazer da vida. A melhor parte da conversa é aquela em que te comparam com um colega, aquele mesmo, da sua idade, que está super bem empregado em uma multinacional.
Sério: foda-se.
Aposto toda a minha coleção de vinis que meu curso foi muito mais bem empregado do que o da metade dessa galera “bem sucedida” aí. Só porque a partir de 2010 eu resolvi não usar formalmente a Licenciatura em História, que me foi dada em 2009 por João Pinto Furtado (sim, uma dó terem roubado isso dele...), não quer dizer que eu já não tenha usufruído de milhões de coisas que ela pôde me oferecer durante os cinco anos que freqüentei a FAFICH.
E agora eu poderia falar das tantas coisas que a graduação me ofereceu. Poderia falar do espírito crítico que eu desenvolvi (e agora a Lê se pergunta: “mais?”); da minha capacidade de análise de um contexto; da minha habilidade para me expressar; da minha compreensão, e incômodo, sobre a realidade brasileira; da minha necessidade de dividir este crescimento com Jovens e Adultos interessados; da minha capacidade de me relacionar com as pessoas; dos inúmeros, verdadeiros e apaixonantes amigos que eu fiz na UFMG e, até mesmo, da minha capacidade de picaretar e encher lingüiça lindamente em um texto.
Mas detalhes não são necessários. Isso tudo é meu, sabe? A minha relação com a História não é fácil, nem de entender nem de esquecer. E foi forte e importante. Mas, por hora, ela não será o centro da minha vida. E talvez nunca mais seja. Quero me dar o direito de ter tempo para descobrir.
Eu quero, finalmente, não me encaixar. Não quero corresponder às expectativas de ninguém, não quero ser comparada, não quero estar “como todo mundo”, não quero fazer planos “para quando eu for feliz”. Eu quero me perder para me encontrar.
Sempre foi tudo muito certo, sabe? Eu preciso não saber falar, não saber onde, não saber como... Eu quero isso! E tenho dito.
Eu quero mais é tirar foto na frente do Big Ben (de cachecol!); descer a “Portobello Road” no melhor estilo Caetano Veloso, a caminho do “sound of reggae”; comer “Fish and Chips” e blueberry; ver neve e aprender a valorizar os dias de sol.
É isso o que eu quero. E nada eu quis tanto em toda a minha vida. E eu nunca fiquei tão feliz por afirmar uma coisa pra mim.
Sim, é uma decisão. Já foi pensada, repensada, rerepensada, avaliada, negada, diminuída, abafada, reavaliada, considerada, sonhada, esperada, desejada, decidida.
Foi um parto. Assim como escrever trabalhos sobre a Sociedade Colonial “em pelo menos 20 páginas” ou ler todos os textos de Historiografia Brasileira para a prova do dia seguinte.
É verdade que foi menos dolorido, mas o peso foi igual. Era eu comigo mesma, sabe? Era o momento em que eu finalmente seria sincera comigo: eu não quero um emprego formal (pelo menos não agora!), eu não quero dar aulas, eu não quero estudar mais, eu não quero estabilidade!
E eu precisei ter muito peito pra dizer isso, o que, convenhamos, é um problema pra mim (ai ai, adoro trocadilhos!). A cobrança nunca foi explícita. Mas existe. Existe em cada conversa com conhecidos em que te perguntam se você já se formou, se vai tentar mestrado e o que vai fazer da vida. A melhor parte da conversa é aquela em que te comparam com um colega, aquele mesmo, da sua idade, que está super bem empregado em uma multinacional.
Sério: foda-se.
Aposto toda a minha coleção de vinis que meu curso foi muito mais bem empregado do que o da metade dessa galera “bem sucedida” aí. Só porque a partir de 2010 eu resolvi não usar formalmente a Licenciatura em História, que me foi dada em 2009 por João Pinto Furtado (sim, uma dó terem roubado isso dele...), não quer dizer que eu já não tenha usufruído de milhões de coisas que ela pôde me oferecer durante os cinco anos que freqüentei a FAFICH.
E agora eu poderia falar das tantas coisas que a graduação me ofereceu. Poderia falar do espírito crítico que eu desenvolvi (e agora a Lê se pergunta: “mais?”); da minha capacidade de análise de um contexto; da minha habilidade para me expressar; da minha compreensão, e incômodo, sobre a realidade brasileira; da minha necessidade de dividir este crescimento com Jovens e Adultos interessados; da minha capacidade de me relacionar com as pessoas; dos inúmeros, verdadeiros e apaixonantes amigos que eu fiz na UFMG e, até mesmo, da minha capacidade de picaretar e encher lingüiça lindamente em um texto.
Mas detalhes não são necessários. Isso tudo é meu, sabe? A minha relação com a História não é fácil, nem de entender nem de esquecer. E foi forte e importante. Mas, por hora, ela não será o centro da minha vida. E talvez nunca mais seja. Quero me dar o direito de ter tempo para descobrir.
Eu quero, finalmente, não me encaixar. Não quero corresponder às expectativas de ninguém, não quero ser comparada, não quero estar “como todo mundo”, não quero fazer planos “para quando eu for feliz”. Eu quero me perder para me encontrar.
Sempre foi tudo muito certo, sabe? Eu preciso não saber falar, não saber onde, não saber como... Eu quero isso! E tenho dito.
Eu quero mais é tirar foto na frente do Big Ben (de cachecol!); descer a “Portobello Road” no melhor estilo Caetano Veloso, a caminho do “sound of reggae”; comer “Fish and Chips” e blueberry; ver neve e aprender a valorizar os dias de sol.
É isso o que eu quero. E nada eu quis tanto em toda a minha vida. E eu nunca fiquei tão feliz por afirmar uma coisa pra mim.
27 de abril de 2010
sobre os últimos meses...
"Eu tenho andado tão sozinho,
Que eu nem sei no que acreditar
E a paz que busco agora,
Nem a dor vai me negar."
.
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e não é que sem o Cazuza o Frejat também fala bonito?
Que eu nem sei no que acreditar
E a paz que busco agora,
Nem a dor vai me negar."
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e não é que sem o Cazuza o Frejat também fala bonito?
5 de fevereiro de 2010
15 de janeiro de 2010
"Será que a sorte virá num realejo?/ Trazendo o pão da manhã/ A faca e o queijo/ Ou talvez... um beijo teu/ Que me empreste a alegria... que me faça juntar/ Todo resto do dia... meu café, meu jantar/ Meu mundo inteiro.../ que é tão fácil de enxergar... E chegar
Nenhum medo que possa enfrentar/ Nem segredo que possa contar/ Enquanto é tão cedo/ Tão cedo
Enquanto for... um berço meu/ Enquanto for... um terço meu/ Serás vida... bem vinda/ Serás viva... bem viva/ Em mim
Será que a noite vira num vilarejo/ vejo a ponte que levara o que desejo/ admiro o que há de lindo e o que há de ser... você
Enquanto for... um berço meu/ Enquanto for... um terço meu/ Serás vida... bem vinda/ Serás viva... bem viva/ Em mim"
"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem"
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Porque essa musica me transmite um misto de tristeza e beleza, quase uma alegria por estar triste e ela me da uma saudade danada de um sentimento de completude que eu experimentei poucas vezes na vida. E porque eh exatamente isso ai que eu to sentindo hoje: uma saudade danada.
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ps1: amanha eu vou pra praia. \o/
ps2: a interrogacao voltou pro teclado e se foram os acentos...
14 de janeiro de 2010
Por não estarem distraídos
Clarice Lispector
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
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Porque descobrir que eu sou a “ela” do texto de alguém me deixa reconfortada: minha solidão tem companhia.
Clarice Lispector
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
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Porque descobrir que eu sou a “ela” do texto de alguém me deixa reconfortada: minha solidão tem companhia.
11 de janeiro de 2010
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"
Florbela Espanca, em "Cartas a Guido Battelli".
Se ela tivesse me conhecido a gente seria melhores amigas. Certeza.
Florbela Espanca, em "Cartas a Guido Battelli".
Se ela tivesse me conhecido a gente seria melhores amigas. Certeza.
6 de janeiro de 2010
Ano novo?
Quase uma semana depois da "passagem" eu ainda acho que a poesia que vai abaixo vale. Vale porque é isso aí mesmo que o Drummond fala: a mudança da data não é nada se não houver uma mudança dentro da gente. Portanto, acho super possível que o ano novo aconteça em pleno agosto, num dia bem cinzento. Eu, particularmente, estou usando esta data convencionada como marco de algumas mudanças na minha vida. Comecei o ano formada, desempregada, desabrigada, desorientada, desamada - mas não desalmada, o que garante o meu otimismo. Talvez eu tenha que aprender a conviver com a falta, com a incerteza, com a insegurança. E, mais ainda, talvez eu precise aprender a sustentar essa falta, pra ver no que vai dar, pra ver como eu me viro com ela, pra ver como é melhor o vazio consciente do que o vazio fingidamente preenchido, oco. É isso.
Eu realmente espero que esse marco, 2010, seja uma mudança e leve todas as coisas mais ou menos que o marco anterior trouxe. À parte os desejos para as pessoas que eu gosto, eu desejo do fundo do coração viver um ano com emoções, de todos os tipos, para nunca me esquecer de que é pra isso que eu estou aqui, para sentir.
No fim do ano, novo balanço.
Eu realmente espero que esse marco, 2010, seja uma mudança e leve todas as coisas mais ou menos que o marco anterior trouxe. À parte os desejos para as pessoas que eu gosto, eu desejo do fundo do coração viver um ano com emoções, de todos os tipos, para nunca me esquecer de que é pra isso que eu estou aqui, para sentir.
No fim do ano, novo balanço.
Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
28 de dezembro de 2009
Sobre o que é impossível de definir - mas a gente tenta.
ah sim! antes tarde do que nunca: uma das coisas mais legais do filme "500 dias com ela" é que os dois protagonistas discutem qual é a melhor música dos Beatles. ok, tarefa quase impossível, na minha opinião. mas eu achei MUITO DOIDO a mocinha dizer que Octopus's Garden é sua preferida e que o Ringo é seu Beatle preferido. porque eu concordo com ela!! quando conheci essa música fiquei de cara e quase dei "tilti" no last.fm de tantas vezes que apertei o repeat. mas existem outras no páreo, apesar desta estar entre as melhores, com certeza.
então, aí vai:
esse Ringo é uma graça...
então, aí vai:
esse Ringo é uma graça...
22 de dezembro de 2009
Portanto, nada mais apropriado:
Se eu morrer de novo
(Alberto Caeiro)
(...)
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraido.
Se eu morrer de novo
(Alberto Caeiro)
(...)
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela unica grande razão -
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e a chuva,
E sentando-me outra vez a porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraido.
Sobre coincidência e destino.
Eu tô curtindo esse blog demais. Fato. Por mais que quase ninguém leia, é muito doido reunir as coisas bonitas e legais que eu vejo por aí.
Hoje eu assisti um filme: "(500)Days of Summer" e tô muito encantada. Achei uma graça. E, melhor ainda, achei doido o tipo de reflexão que o filme me propôs: tudo é só coincidência ou existe mesmo esse tal de destino? Não é a gente que força a barra e canaliza as expectativas em alguém? Apesar de existir a certeza de que eu quero um amor, um companheiro, como saber se ele chegou? E como saber se a sua história com alguém era pra ser um romance perfeitinho (e eles existem?) ou uma coisa toda atrapalhada, sem rótulos, sem definições, sem final feliz? Era pra ser? Muito interessante este filme ter me aparecido agora...
Hoje eu assisti um filme: "(500)Days of Summer" e tô muito encantada. Achei uma graça. E, melhor ainda, achei doido o tipo de reflexão que o filme me propôs: tudo é só coincidência ou existe mesmo esse tal de destino? Não é a gente que força a barra e canaliza as expectativas em alguém? Apesar de existir a certeza de que eu quero um amor, um companheiro, como saber se ele chegou? E como saber se a sua história com alguém era pra ser um romance perfeitinho (e eles existem?) ou uma coisa toda atrapalhada, sem rótulos, sem definições, sem final feliz? Era pra ser? Muito interessante este filme ter me aparecido agora...
21 de dezembro de 2009
Eu não sei quem é o cara e nem se eu devia dar moral pra ele. Eu devia desconfiar, já que foi leitura de banheiro. Mas gostei do texto. Sou super a favor de trabalhar o silêncio, apesar de ser uma das que "fala pelos cotovelos".
Palavras cruzadas (Tião Martins)
Nunca ouvi alguém “falar pelos cotovelos”, embora autores festejados e de grande respeitabilidade registrem em seus livros tão estranha habilidade. Nem dá para imaginar como seria o som emitido por esta que é uma das partes mais discretas e menos valorizadas da anatomia humana, embora desempenhe papel importante na vida de certas pessoas.
Se aceitarmos o depoimento dos tais autores e acrescentarmos aquilo que aprendemos com a nossa própria experiência, há pelo menos três situações em que os cotovelos deixam de ser meros figurantes no espetáculo e ganham status de personagens centrais na comédia humana.
Em primeiro lugar, servem para que os bêbados contumazes escorem todo o seu peso sobre o balcão dos botecos. Já imaginaram quantos escorregariam para o chão, se não fosse essa invenção providencial do Criador?
Em momentos mais dramáticos, quando o portador acaba de levar um chega pra lá da mulher amada, é nos cotovelos que se concentra toda a mágoa pelo inesperado abandono. Aí, os cotovelos – que você nem lembrava que tinha – costumam doer.
E, finalmente, se acreditarmos na literatura, há seres humanos que falam pelos cotovelos (deputados, apresentadores da TV e pessoas do sexo feminino, estas últimas quando se referem às pechinchas que adquiriram ontem, se suspeitam da fidelidade dos maridos ou nas raríssimas ocasiões em que comentam os amores secretos das amigas, assim como as roupas e os sapatos que elas usam).
Os mineiros sempre tiveram fama de falar pouco, para não serem apanhados em flagrante cumprimentando alimárias quando nasce o dia. Mas tudo muda, para pior ou melhor, e hoje há mineiros e mineiras que falam demais, ainda que não esteja por perto um cavalo, para receber os votos de um dia feliz. Aliás, se considerarmos o conteúdo e a qualidade de certas conversas que a gente ouve por aí, seria muito mais útil falar com um cão, um gato ou um cavalo. Sei de gente que tira maior proveito desses colóquios que do tempo que gastam ouvindo o tagarelar de certas madames, que passam horas falando do funcionamento diário dos seus intestinos.
Não é por ser mineiro à moda antiga (ou talvez seja) que prezo a economia de palavras. É que considero a palavra das poucas coisas interessantes que inventamos, em milênios de peregrinação pela face do planeta, desde que assumimos a posição de macacos eretos.
Entretanto, se você testemunha dez minutos de conversa entre quatro pessoas de qualquer sexo, todas falando ao mesmo tempo e nenhuma delas ouvindo o que a outra diz, terá motivo mais que suficiente para concluir que a fala não foi invenção tão inteligente assim. Ou, se foi útil um dia, há muito deixou de ser.
Raramente se tem o prazer, em nosso tempo, de ouvir uma honesta troca de ideias. Da mesma forma que motoristas atropelam pedestres que impeçam sua velocidade, os conversadores elevam o tom de voz para calar os demais.
Não há mais interlocutores, no sentido que esta palavra teve antigamente, mas adversários ansiosos para derrubar o oponente. Como nas lutas de boxe, as palavras cruzam o espaço para encantoar o inimigo e empurrá-lo para as cordas, até que seja possível aplicar o golpe final e levá-lo ao solo. Ou ao silêncio.
Quando as palavras deixam de ser um espaço de sociabilidade e entendimento, para ganhar o aspecto de uma guerra (às vezes com troca de flechas envenenadas), dá vontade de conversar mansamente com uma galinha, um bezerro ou um camelo, que podem até não responder, mas pelo menos ouvem. Como diz o meu amigo doutor Fontes, advogado de mínima clientela e servo da palavra, das ideias e da expressão exata, “não é que as palavras perderam o sentido e o valor para a humanidade. É que hoje as línguas são autônomas, separadas do cérebro, e já não se faz gente como antigamente”.
Palavras cruzadas (Tião Martins)
Nunca ouvi alguém “falar pelos cotovelos”, embora autores festejados e de grande respeitabilidade registrem em seus livros tão estranha habilidade. Nem dá para imaginar como seria o som emitido por esta que é uma das partes mais discretas e menos valorizadas da anatomia humana, embora desempenhe papel importante na vida de certas pessoas.
Se aceitarmos o depoimento dos tais autores e acrescentarmos aquilo que aprendemos com a nossa própria experiência, há pelo menos três situações em que os cotovelos deixam de ser meros figurantes no espetáculo e ganham status de personagens centrais na comédia humana.
Em primeiro lugar, servem para que os bêbados contumazes escorem todo o seu peso sobre o balcão dos botecos. Já imaginaram quantos escorregariam para o chão, se não fosse essa invenção providencial do Criador?
Em momentos mais dramáticos, quando o portador acaba de levar um chega pra lá da mulher amada, é nos cotovelos que se concentra toda a mágoa pelo inesperado abandono. Aí, os cotovelos – que você nem lembrava que tinha – costumam doer.
E, finalmente, se acreditarmos na literatura, há seres humanos que falam pelos cotovelos (deputados, apresentadores da TV e pessoas do sexo feminino, estas últimas quando se referem às pechinchas que adquiriram ontem, se suspeitam da fidelidade dos maridos ou nas raríssimas ocasiões em que comentam os amores secretos das amigas, assim como as roupas e os sapatos que elas usam).
Os mineiros sempre tiveram fama de falar pouco, para não serem apanhados em flagrante cumprimentando alimárias quando nasce o dia. Mas tudo muda, para pior ou melhor, e hoje há mineiros e mineiras que falam demais, ainda que não esteja por perto um cavalo, para receber os votos de um dia feliz. Aliás, se considerarmos o conteúdo e a qualidade de certas conversas que a gente ouve por aí, seria muito mais útil falar com um cão, um gato ou um cavalo. Sei de gente que tira maior proveito desses colóquios que do tempo que gastam ouvindo o tagarelar de certas madames, que passam horas falando do funcionamento diário dos seus intestinos.
Não é por ser mineiro à moda antiga (ou talvez seja) que prezo a economia de palavras. É que considero a palavra das poucas coisas interessantes que inventamos, em milênios de peregrinação pela face do planeta, desde que assumimos a posição de macacos eretos.
Entretanto, se você testemunha dez minutos de conversa entre quatro pessoas de qualquer sexo, todas falando ao mesmo tempo e nenhuma delas ouvindo o que a outra diz, terá motivo mais que suficiente para concluir que a fala não foi invenção tão inteligente assim. Ou, se foi útil um dia, há muito deixou de ser.
Raramente se tem o prazer, em nosso tempo, de ouvir uma honesta troca de ideias. Da mesma forma que motoristas atropelam pedestres que impeçam sua velocidade, os conversadores elevam o tom de voz para calar os demais.
Não há mais interlocutores, no sentido que esta palavra teve antigamente, mas adversários ansiosos para derrubar o oponente. Como nas lutas de boxe, as palavras cruzam o espaço para encantoar o inimigo e empurrá-lo para as cordas, até que seja possível aplicar o golpe final e levá-lo ao solo. Ou ao silêncio.
Quando as palavras deixam de ser um espaço de sociabilidade e entendimento, para ganhar o aspecto de uma guerra (às vezes com troca de flechas envenenadas), dá vontade de conversar mansamente com uma galinha, um bezerro ou um camelo, que podem até não responder, mas pelo menos ouvem. Como diz o meu amigo doutor Fontes, advogado de mínima clientela e servo da palavra, das ideias e da expressão exata, “não é que as palavras perderam o sentido e o valor para a humanidade. É que hoje as línguas são autônomas, separadas do cérebro, e já não se faz gente como antigamente”.
20 de dezembro de 2009
ainda bem que tem gente que consegue expressar esses sentimentos. diminui a minha solidão.
Aflição de ser eu e não ser outra
(Hilda Hilst)
Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
Aflição de ser eu e não ser outra
(Hilda Hilst)
Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
Sobre o que nunca acaba.
A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.
De lá pra cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.
A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.
De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.
(Affonso Romano de Sant'Anna)
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.
De lá pra cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.
A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.
De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.
(Affonso Romano de Sant'Anna)
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