28 de maio de 2010

Um blog!

Um dia eu mostrei esse blog pra Olívia. É, assim, morrendo de vergonha de alguém saber que eu tenho um blog.

Uai, claro!

Um blog assim, com motivo específico (tipo a minha viagem pra Londres) é bem legal. Mas um blog por um blog, só pra postar textos meus, eu achava vergonhoso. Muito narcisista, sabe?

Olívia não viu nada demais e só comentou: "Eu gostaria de ver mais textos seus..."

Assustei. Mas não era exatamente disso que eu tinha vergonha? Quem é que vai querer vir aqui pra ler as minhas falações? Ou, pior, pra ler minhas reflexões (tão repetitivas!) de gente que faz análise? A resposta, totalmente previsível, é: ninguém.

E é exatamente por isso que esse é o blog mais controverso da história: ele existe, está na internet, pode ser encontrado a qualquer momento por qualquer pessoa mas eu finjo que ele não existe! Ele é público, tá aqui pra todo mundo ler, mas eu não o mostro e ele não é visitado.

Então pra que raios essa bagaça serve?!?

Serve pra eu me sentir menos sozinha. Serve pra eu resolver meu problema, existente desde a infância, com diários. Serve pra eu ir salvando, de acordo com meu humor e com o correr da vida, as mensagens bonitas que inúmeras vezes pulam nos meus olhos.

A solidão tem me acompanhado muito nos últimos tempos. Vivo em uma casa com "recém ex-pré-vestibulandos" tão cheios de energia que me cansam. Penso em um futuro do qual praticamente nenhuma das pessoas que eu amo faz parte. Faço contas e reflito sobre a logística da "moradiaXtransporte" o dia inteiro. E passei até a me interessar pelos números da Bolsa de Valores...

Gosto deste blog pois por aqui não existe a ditadura da data, que os fabricantes de agenda insistiram em instaurar. Este fato fez com que hoje, ao reler meus escritos dos 12 anos, eu encontre inúmeras pérolas sobre os meus dias em que nada de interessante acontecia. O que, portanto, explica eu sempre abandonar meus diários beirando abril.

Passado o problema de escrever quando me der vontade, estou trabalhando o fato de escrever o quê me der vontade. Então, por ora, uso pessoas pra falarem por mim e, vez ou outra, escrevo umas abobrinhas. Já que, afinal de contas, estou autorizada. Pelo menos até este virar um blog "com objetivo", o portal das minhas experiências nas terras da rainha.

2 de maio de 2010

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"Mas essa vida é passageira,
Chorar eu sei que é besteira,
Mas, meu amigo,
Não dá pra segurar..."
(Vida passageira - Ira!)
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eu nunca pensei que a morte fosse tão incômoda e dolorida. na verdade, eu nunca penso sobre ela. ignoro solenemente.

e hoje, quando ela me bate com tanta força e me apresenta pensamentos e sentimentos que eu desconhecia, entendo que, provavelmente, eu não dava a ela a devida importância.
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29 de abril de 2010

Sobre grandes passos e grandes decisões

Eu vou pra Londres em agosto.

Sim, é uma decisão. Já foi pensada, repensada, rerepensada, avaliada, negada, diminuída, abafada, reavaliada, considerada, sonhada, esperada, desejada, decidida.

Foi um parto. Assim como escrever trabalhos sobre a Sociedade Colonial “em pelo menos 20 páginas” ou ler todos os textos de Historiografia Brasileira para a prova do dia seguinte.

É verdade que foi menos dolorido, mas o peso foi igual. Era eu comigo mesma, sabe? Era o momento em que eu finalmente seria sincera comigo: eu não quero um emprego formal (pelo menos não agora!), eu não quero dar aulas, eu não quero estudar mais, eu não quero estabilidade!

E eu precisei ter muito peito pra dizer isso, o que, convenhamos, é um problema pra mim (ai ai, adoro trocadilhos!). A cobrança nunca foi explícita. Mas existe. Existe em cada conversa com conhecidos em que te perguntam se você já se formou, se vai tentar mestrado e o que vai fazer da vida. A melhor parte da conversa é aquela em que te comparam com um colega, aquele mesmo, da sua idade, que está super bem empregado em uma multinacional.

Sério: foda-se.

Aposto toda a minha coleção de vinis que meu curso foi muito mais bem empregado do que o da metade dessa galera “bem sucedida” aí. Só porque a partir de 2010 eu resolvi não usar formalmente a Licenciatura em História, que me foi dada em 2009 por João Pinto Furtado (sim, uma dó terem roubado isso dele...), não quer dizer que eu já não tenha usufruído de milhões de coisas que ela pôde me oferecer durante os cinco anos que freqüentei a FAFICH.

E agora eu poderia falar das tantas coisas que a graduação me ofereceu. Poderia falar do espírito crítico que eu desenvolvi (e agora a Lê se pergunta: “mais?”); da minha capacidade de análise de um contexto; da minha habilidade para me expressar; da minha compreensão, e incômodo, sobre a realidade brasileira; da minha necessidade de dividir este crescimento com Jovens e Adultos interessados; da minha capacidade de me relacionar com as pessoas; dos inúmeros, verdadeiros e apaixonantes amigos que eu fiz na UFMG e, até mesmo, da minha capacidade de picaretar e encher lingüiça lindamente em um texto.

Mas detalhes não são necessários. Isso tudo é meu, sabe? A minha relação com a História não é fácil, nem de entender nem de esquecer. E foi forte e importante. Mas, por hora, ela não será o centro da minha vida. E talvez nunca mais seja. Quero me dar o direito de ter tempo para descobrir.

Eu quero, finalmente, não me encaixar. Não quero corresponder às expectativas de ninguém, não quero ser comparada, não quero estar “como todo mundo”, não quero fazer planos “para quando eu for feliz”. Eu quero me perder para me encontrar.

Sempre foi tudo muito certo, sabe? Eu preciso não saber falar, não saber onde, não saber como... Eu quero isso! E tenho dito.

Eu quero mais é tirar foto na frente do Big Ben (de cachecol!); descer a “Portobello Road” no melhor estilo Caetano Veloso, a caminho do “sound of reggae”; comer “Fish and Chips” e blueberry; ver neve e aprender a valorizar os dias de sol.

É isso o que eu quero. E nada eu quis tanto em toda a minha vida. E eu nunca fiquei tão feliz por afirmar uma coisa pra mim.

27 de abril de 2010

sobre os últimos meses...

"Eu tenho andado tão sozinho,
Que eu nem sei no que acreditar
E a paz que busco agora,
Nem a dor vai me negar."

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e não é que sem o Cazuza o Frejat também fala bonito?

5 de fevereiro de 2010

"Não Vou!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor..."

(Canto de Ossanha - Vinicius de Moraes e Baden Powell)

15 de janeiro de 2010



"Será que a sorte virá num realejo?/ Trazendo o pão da manhã/ A faca e o queijo/ Ou talvez... um beijo teu/ Que me empreste a alegria... que me faça juntar/ Todo resto do dia... meu café, meu jantar/ Meu mundo inteiro.../ que é tão fácil de enxergar... E chegar

Nenhum medo que possa enfrentar/ Nem segredo que possa contar/ Enquanto é tão cedo/ Tão cedo

Enquanto for... um berço meu/ Enquanto for... um terço meu/ Serás vida... bem vinda/ Serás viva... bem viva/ Em mim

Será que a noite vira num vilarejo/ vejo a ponte que levara o que desejo/ admiro o que há de lindo e o que há de ser... você

Enquanto for... um berço meu/ Enquanto for... um terço meu/ Serás vida... bem vinda/ Serás viva... bem viva/ Em mim"

"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem"

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Porque essa musica me transmite um misto de tristeza e beleza, quase uma alegria por estar triste e ela me da uma saudade danada de um sentimento de completude que eu experimentei poucas vezes na vida. E porque eh exatamente isso ai que eu to sentindo hoje: uma saudade danada.
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ps1: amanha eu vou pra praia. \o/
ps2: a interrogacao voltou pro teclado e se foram os acentos...

14 de janeiro de 2010

Por não estarem distraídos

Clarice Lispector


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

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Porque descobrir que eu sou a “ela” do texto de alguém me deixa reconfortada: minha solidão tem companhia.

11 de janeiro de 2010

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!"

Florbela Espanca, em "Cartas a Guido Battelli".



Se ela tivesse me conhecido a gente seria melhores amigas. Certeza.

6 de janeiro de 2010

Ano novo?

Quase uma semana depois da "passagem" eu ainda acho que a poesia que vai abaixo vale. Vale porque é isso aí mesmo que o Drummond fala: a mudança da data não é nada se não houver uma mudança dentro da gente. Portanto, acho super possível que o ano novo aconteça em pleno agosto, num dia bem cinzento. Eu, particularmente, estou usando esta data convencionada como marco de algumas mudanças na minha vida. Comecei o ano formada, desempregada, desabrigada, desorientada, desamada - mas não desalmada, o que garante o meu otimismo. Talvez eu tenha que aprender a conviver com a falta, com a incerteza, com a insegurança. E, mais ainda, talvez eu precise aprender a sustentar essa falta, pra ver no que vai dar, pra ver como eu me viro com ela, pra ver como é melhor o vazio consciente do que o vazio fingidamente preenchido, oco. É isso.

Eu realmente espero que esse marco, 2010, seja uma mudança e leve todas as coisas mais ou menos que o marco anterior trouxe. À parte os desejos para as pessoas que eu gosto, eu desejo do fundo do coração viver um ano com emoções, de todos os tipos, para nunca me esquecer de que é pra isso que eu estou aqui, para sentir.

No fim do ano, novo balanço.
Receita de Ano Novo

Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.